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Uma aventura pela América do Sul. Parte 03

De tanque cheio e bagageiro lotado colocamos nosso jipe na estrada rumo à nossa aventura. O primeiro destino é Cusco, Peru. Antes vamos passar por quatro estados do Brasil: Goiás, Mato Grosso, Rondônia e Acre.

Saindo de Brasília em direção a Cuiabá nos deparamos com nosso primeiro imprevisto: a péssima qualidade das estradas de Goiás. Em alguns locais é inviável a circulação nas duas vias devido aos enormes buracos e até mesmo há processos erosivos que tomam conta de metade da pista.

Chegando na fronteira de Goiás com Mato Grosso não deixe de sentar em algum restaurante a beira do Rio Araguaia e pedir um delicioso peixe. Esse rio que nasce no interior de Goiás e só vai desaguar no mar ao norte do Pará marca a divisa dos dois estados.

Depois de 12 horas de viagem chegamos a capital do Mato Grosso: Cuiabá. Aqui vale uma observação, no planejamento calcule ficar na estrada no máximo 12 horas por dia realizando um revezamento do volante entre os integrantes da aventura.

Nesta parte do país funciona uma atividade agropecuária muito intensa. Provavelmente será um dos trechos de estrada mais complicados de toda a viagem. Devido às muitas plantações de soja no estado do Mato Grosso há uma quantidade muito grande de caminhões de grande porte circulando por essas estradas, fique atento e não faça nenhuma ultrapassagem arriscada pois ainda estamos só no começo da viagem.

Saindo de Cuiabá em direção ao estado de Rondônia passamos perto da fronteira da Bolívia e seguimos com a nossa bússola sempre apontada para o norte. Nossa segunda noite é em uma pequena cidade chamada Pimenta Bueno, as margens da BR 364. Chegando em Porto Velho nos deparamos com uma cidade dinâmica e bem moderna, mais alguns quilômetros e atravessamos o extenso Rio Madeira seguindo rumo ao estado do Acre. Passamos nossa terceira noite em Rio Branco, última parada antes de cruzar a fronteira.

Saindo da capital do Acre vimos um país diferente, aqui as culturas já começam a se misturar, muitos carros peruanos e bolivianos transitam pelas estradas, as cidades como Brasiléia estão cheias de pessoas vindas do Haiti tentando a sorte no Brasil. Nossa decepção foi ver que a Floresta Amazônica está longe de ser vista, pois o que se vê são grandes extensões de pastos destinados a criação de gado de corte.

Depois de quatro dias de viagem chegamos a Assis Brasil, a cidade que guarda a tríplice fronteira Brasil, Peru e Bolívia. Para nossa surpresa o controle é quase nulo, tivemos que estacionar o carro no Peru e irmos a pé até o posto da Polícia Federal para informarmos a nossa saída do País.

Alguns metros dali encontramos a fiscalização peruana, o importante aqui para quem viaja de carro é se apresentar na aduana e receber a permissão para circular com o veículo no país. No caso do Peru, eles entregam um adesivo para ser colado em local visível do carro informando as datas permitidas para circulação dentro do país.

Do outro lado da rua ficam as “casas de câmbio” e vale ressaltar aqui as aspas, são barraquinhas de lonas com habitantes locais realizando a troca de moedas. No Brasil você provavelmente não vai encontrar a moeda peruana e se encontrar estará com uma cotação muito desfavorável. Não tenha receio, faça sua troca nesses locais improvisados e tenha cuidado com olhares desconhecidos.

Com a moeda peruana “Novo Sol” na carteira seguimos nossa viagem atravessando a região de Madre de Dios, aqui finalmente conhecemos a Floresta Amazônica. Ao final do dia chegamos a Puerto Maldonado, uma cidade encravada na floresta e última parada antes de Cusco.

Puerto Maldonado merece uma atenção especial, de aspecto curioso essa pequena cidade surpreende pela agitação de seus habitantes. Possui uma estrutura razoável e um comércio relativamente organizado, é incrível como as ruas ficam cheias até tarde da noite. Não deixe de comer uma pizza na pizzaria da praça central e tomar uma cerveja peruana.

Enfim partimos para Cusco. Podemos dizer que a estrada é um dos pontos altos da viagem, aqui se chega a 4.725 metros de altitude em poucas horas, a vegetação muda drasticamente e a chance de encontrar neve é muito alta. Tome cuidado pois haverá muitos animais na pista, dirija com cautela e bem devagar pois a sinuosidade da estrada requer muita atenção.

Depois de cinco dias de viagem chegamos a Cusco, cidade histórica peruana, antigo centro administrativo Inca e base turística para quem quer conhecer Machu Picchu. Prepare o pisco e o ceviche porque no nosso próximo post do Blog EVNTS vamos falar tudo sobre essa incrível cidade.

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